Imagine esta cena: você está deitada na cama, seu parceiro beijando lá, está entre suas pernas, e você não está exatamente enlouquecendo de prazer. “Ai, se ele percebesse que o clitóris está meio centímetro para cima do lugar que ele está lambendo… será que preciso desenhar?”, você pensa decepcionada. O que você faz nessa situação: apenas relaxa e espera até que ele termine, ou diz alguma coisa? 

Se você está acostumada a pedir o que quer na cama, então sabe passar por cima desse vaivém mental e ir direto ao ponto. Nesse caso, parabenizo você! Você faz parte de uma minoria que se conhece e não tem pudores em buscar seu prazer. 

Mas se você ainda não chegou nesse ponto, tudo bem também. Talvez você fique sem reação quando seu parceiro pergunta o que você quer. Ou, talvez ele não tenha perguntado de forma direta, mas você sabe que precisa falar sobre o assunto. 

Conheço muitas mulheres que gostariam de experimentar algo específico na cama, ou apenas implementar na rotina algo que as satisfaçam, mas não têm certeza de como pedir. O medo de ser vulnerável ou machucar o ego de um parceiro pode impedem esse tipo de conversa.

Então, eu tenho uma dica para você começar a introduzir esses diálogos no seu dia a dia. Diga ao seu parceiro como você quer se sentir, ao invés de pedir uma ação específica.

Pode ser tão amplo quanto “quero me sentir mais desejada do que nunca” ou tão detalhado quanto “quero sentir meus seios ferverem de tantos beijos e caricias”. Certamente é uma forma menos assustadora de expressar suas necessidades. Abordagens como “isso não está funcionando para mim” ou “um pouco para a esquerda” pode ser intimidante e acabar com o clima. 

Expressar como você deseja se sentir é mais suave, envolve o parceiro e garanto que ele vai querer saber mais sobre suas preferências. Muitas mulheres têm vergonha dos seus desejos sexuais, têm receio da reação do parceiro, ou, a pior das possibilidades, acha que é ele quem tem que saber o que fazer. Delegar a satisfação das suas necessidades é o maior tiro no pé que você pode dar. 

Nossos egos estão frequentemente envolvidos em nossa sexualidade. É importante ser gentil nesse tipo de diálogo, para que você não se sinta reprimida, nem seu parceiro intimidado. Tampouco seja evasiva, para poupar o ego de alguém. Tudo é uma questão de contexto, mas sem meias palavras.

Se você ama seu parceiro, confia nele, e o escolheu compartilhar sua vida, deveria fazer parte do seu relacionamento a troca de informações sobre as necessidades sexuais de ambos. O passo seguinte, é dialogar sobre consentimento, limites e segurança, como sexo anal ou tapas na cara. 

Não é nenhuma surpresa que muitas mulheres não consigam abordar esses tópicos com seus parceiros. O tipo de educação sexual que recebemos induz a esse comportamento reprimido, no qual sexo é visto como algo constrangedor que não devemos discutir abertamente. Muitas descobrimos como ter um orgasmo de forma acidental ou tardia. 

 

Mas preciso ressaltar que você também deve tentar aprender mais sobre si mesma, seja aprimorar seu conhecimento sobre anatomia ou se masturbar mais para aprender o que dá prazer. Antes de dizer ao seu parceiro como deseja se sentir, você deve descobrir sozinha. Além disso, você precisa aprender a se sentir confortável com seus desejos.

Já pensou se ele pede ajuda, perguntando “como faço isso acontecer?”. É sua obrigação explicar como ele deve proceder. É um ótimo método de ampliar seus horizontes sexuais.

Então, pense um pouco: quais são os sentimentos que você deseja durante o sexo? Como seu parceiro poderia tornar esses sentimentos realidade? Como você pode?

Ah, também pergunte ao seu parceiro como ele também deseja se sentir. Este tipo de diálogo pode começar a trilhar um caminho para uma melhor comunicação sexual. Pode parecer estranho no começo, eu sei, mas realmente recomendo. Ter essa conversa – e torná-la contínua – pode ser um passo maravilhoso para compreender o seu corpo, superar a vergonha e ter a vida sexual que você deseja.